Caderno - IX

Domingo, Janeiro 31, 2010

Atravessando as férias mais longas do ano, quem sabe do século, pois tudo aqui parece tão estagnado só os carros que não param de passar num barulho surdo quando é de dia e um murmurinho da porta do inferno pela noite e foi com esta trilha sonora que iniciei uma análise em profundidade minuciosa sobre o tédio. Tentei levantar hipóteses de porque aqui ele se revela em todo o seu esplendor. Começando pela geografia agreste, seco como o barulho do asfalto, vermelho como o barro que precisa apenas de uma gota de água para virar lama. Adicione blocos de concreto iguais, iguais numa bizarra semelhança que com o tempo se exercita a capacidade de achar pequenas diferenças. Dentre as hipóteses desse tédio abissal estão os elementos arquitetônicos, geográficos e humanos. Carros passando, para onde vão eu não sei ainda mas, não param de passar numa procissão macabra de sons que variam apenas no volume. Como as pequenas diferenças entre um diálogo e outro nada de original e sincero. Perscrutando o perfil humano pois relacionar todo esse tédio com a geografia não é justo, nem com a arquitetura anti-humana que inventaram para fazer deste país e sua capital algo moderno, o germe tedioso habita na população, pessoas que a partir de uma classificação simples porque se fossem complexas iriam me distrair e eu não estaria dedicando um texto sobre o tédio-tema e suas proporções. Dois tipos humanos apenas com variações irrelevantes, os que moram nos blocos do plano e arredores, trocaram seus lugares de origem por uns trocadinhos a mais, para integrar esta paisagem quase como um concreto, perderam um bom pedaço das suas almas, os que habitam o plano são os mais detestáveis por acharem alguma vantagem e se sentirem orgulhosos por não estarem nos arredores. o segundo elemento humano são os que conseguiram uma cadeira prestigiosa que lhe rendem lucros e possibilidades de viajar, comprar propriedades longe daqui e até aqui mesmo porque não. Os últimos venderem suas almas por um valor maior, mercadores atentos na minha opinião. Os que nasceram aqui não classificarei enquanto raça humana pelo fato de terem nascido em Marte. Eu não estou em nenhuma destas facções vendi minha alma por amor, habito o planeta Marte como quem vai para a legião estrangeira. E quando eu pensava que o tédio ia ser meu companheiro e açoite ainda tinha surpresas.
video

Domingo, Novembro 22, 2009

Lykke Li

Podia ser nome de brinquedo coreano mas, é cantora, podíamos inclui-la nessas clínicas eletrônicas em algumas faixas do álbum, contudo, é polivalente e tem boas influências, fez um cover de Will you still love me tomorrow para Dust Springfield nenhuma botar defeito, contudo escolhi outro vídeo como amostra grátis, um que ela esta em parceria com o folk Bon Iver não que esta seja a praça dela porém, também é. Não sendo só isso. Podia ser de Glasgow mas é da prolífera Suécia, já morou na Índia, NY, Portugal e Marrocos em suma filha da globalização, de mãe pintora e pai músico ela converge muita coisa e dá certo. Ex integrante da banda El perro del mar, Youth Novels (2008) é o seu primeiro álbum e a minha preferida é Dance, Dance, Dance.



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Poeira e caos. E no meio disso tudo o ano se finda trazendo consigo aquelas mesmas resoluções de final de ciclo. E não é só isso além do natal e das provas finais ainda tem o meu inferno astral se é que isso conta, mas, o aniversário é certo, o natal e as provas finais também todo fim de ano acontece. Enquanto isso poeira, caos e algum calor para esquentar os pensamentos.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Les Nuits Zebrees Radio Nova - Alela Diane

Alela Diane ao vivo em um projeto de uma rádio francesa que realiza pequenos concertos, com cerca de 48 minutos de música. Uns 3 minutos de entrevista. Dentre estes 48 min Alela canta músicas dos últimos 2 álbuns e entre uma e outra existem registros de canções folclóricas americanas que não estão inclusas nos seus outros 3 projetos. Voilà.



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Sábado, Novembro 14, 2009

O grafomania entóptica estacionou a mais de um ano, mas o caderno de passeio para ensaios livres continuou me acompanhando. Robério veio aqui para avisar que em breve eles serão enviados novamente para o ciberespaço.

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Levanto aqui a hipótese de que Renato Russo vive digo isso a partir de experiências diárias. Como prova factual trago esta passagem: eis que eu estava em uma festa de Brasília e aparece essa figura, bigode, oclinhos e a habitual tendência para a chatice... Bem, não era o original, também não é o único clone com estes caracteres russísticos.
Pena que os clones se limitam a caricaturas, confessando que acho até alguma sinceridade no que veio a ser o proto punk brasileiro. Talvez tudo o que havia era sinceridade. O nome da primeira banda nasceu profético; Aborto Elétrico. Bem, o proto punk nasceu sincero, porém, foi abortado.Sorte que isso ocorreu em meses avançados. Depois virou qualquer coisa chorosa. Um aborto criado e chorão,a Legião Urbana. O legado caricatural de RR pode ser encontrado em cada quadrado, inferninho ou campos abertos do plano piloto. Fato que veste como uma luva no conjunto residencial de blocos monótonos e idênticos poderiam ser habitações suburbanas do leste europeu, mas é a capital do Brasil. Poderia estar em campanha do GDF para movimentar o turismo: venha e veja de perto clones idênticos do RR. Se é que alguém pensaria em fazer turismo por aqui. Caricaturas, quando digo caricatos é porque só aproveitaram as partes que sobravam e que se vê sem muita perscrutação, profundidade não é muito em voga por aqui, aparência sim.


P.S. Qualquer RR clone ofendido pode se dirigir a vara de pequenas causas, e se vire por lá.
Foto tirada sem permissão em festa qualquer. Acho até que ele fez pose.

Terça-feira, Novembro 10, 2009


Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Headless Heroes - The silence of love (2008)

Um álbum de covers? Ou uma seleção de jóias para confirmar que Alela Diane transforma música em passagens para o paraíso. Fico com a última. Produzido por Bezalel e Nicolson com canções de Daniel Johnston, The Jesus & Mary Chain, Nick Cave & The Bad Seeds, Vashti Bunyan, Linda Perhacs, The Gentle Soul ... Um passeio que decorre por 40 décadas, pérolas sobre pérolas. Apesar destas canções já terem existido cada uma da sua forma e cantor(a) antes de Alela, foi com seu sopro que elas renasceram, como o beijo do príncipe desperta as sonolentas princesas, nesse caso até o conto revigorou pois a nossa heroína é ela: Alela.
Nobody´s baby now a cada audição me explica mais sobre o doce e o azedo, Just like honey nunca me foi tão íntima assim, só pra falar das que mais me agradam, na verdade elas se alternam em grau de predileção. Assim como To be Still e The pirate´s Gospel, The silence of love não para de tocar.



Headless heroes- The silence of love (2008) - http://www.mediafire.com/?zzgrjjzaznw



1.True love will find you in the end
2. Just one time
3. Here before
4. Just like honey
5. To you
6. Blues run the game
7. Hey, who really Cares?
8. Nobody´s baby now
9. The north wind blew south
10. See my love


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Ana Silva
Brazil
Ensaios livres no campo esférico sobre caderno de passeio.
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